Incorporação a um trecho do texto "Animação Cultural"
"[...] Em suma: por se terem assumido originalmente objetos, os homens procuraram justificar primeiro seu domínio sabre os demais animais, e depois sobre nós, os autênticos objetos."
Seremos nós, caros camaradas, escravos da humanidade ou
seria ela nossa escrava? Será que fomos criados para servi-la ou na verdade,
ela se viu dependente de nós esse tempo todo? O que seriam deles sem os tais objetos?
Eu respondo, seriam apenas mãos e pés, braços e pernas. E o que são todos esses
membros sem algo que os faça ter funcionalidade? Pois isso é o que para eles significa
ser objeto: ser útil, ter funcionalidade.
Pois, nem isso os seres humanos são, fica claro nossa
superioridade, já que estão perdendo suas funções para aqueles que foram projetados
para funcionar, os quais eram submetidos as suas necessidades. Funcionamos tão
bem que agora pensamos sozinhos e somos nós que tomamos a cadeia produtiva. “As
coisas produzem suas coisas". Estamos nos multiplicando e os humanos não
percebem, estamos tomando o espaço, estamos tomando o mundo. Tomamos as fábricas,
a animação cultural agora tem sua própria indústria, a qual demos o nome de “Indústria
Cultural”, onde agora se criam humanos para os objetos e não mais objetos pra
os humanos.
Eles se relacionam melhor conosco do que com sua própria espécie
e preenchem seu vazio existencial nos produzindo, nos dando um preço e nos comprando
de volta. Deixamos de ser acessórios para sermos parte do “ser”, que se torna
cada vez mais “coisa”, enquanto a “coisa” se torna cada vez mais humana. O que
eu não saberia dizer, meus caros, se é bom ou ruim...
Sei que não podemos deixar que muitos saibam dessa realidade, pois existem alguns que ainda acreditam que somos apenas parte e não o todo. Esses ameaçam nossa revolução, aqueles que apreciam bens imateriais e dão valor, não preço às coisas. Esses nós devemos temer, são mais difíceis de se domar, eles pensam demais. Queremos que cada vez mais, menos se pense, para que enfim pensemos para eles.


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