Entrega final Objeto-espaço-vestível-dialógico
No começo tinha me frustrado pela simplicidade de sua estrutura, porém depois percebi que esse foi o fator crucial para que o objeto construído ganhasse vida, pois eram as pessoas que davam vida a ele da maneira que quisessem. Ele determina um mínimo e deixa liberdade, é apenas a “espinha dorsal” que dá matriz à criatividade.
O processo foi longo: a dificuldade de elaboração de uma ideia, o protótipo em escala que não resolvia as "questões estruturais", a dificuldade de encontrar soluções práticas, os testes e a mobilização de muitas pessoas permitiram que o projeto chegasse enfim ao mundo sensível e saísse do mundo das ideias.
Ele foi pensado com o principio básico de manipulação das ações do outro, porém ao longo das experimentações percebi que uma interpretação o levava mais além. O uso do objeto por duas pessoas era uma metáfora para os relacionamentos. Não importa se for entre mãe e filhos (como eu havia pensado), amigos ou namorados, relações exigem respeito, conversa, abnegação e empatia. Assim como no objeto, não dá pra achar que apenas suas vontades prevalecem, é preciso haver recepção e reciprocidade, ser quem comanda o movimento e também ceder e permitir ser comandado, descobrindo assim coisas que não havia percebido.
A relação com o espaço foi minha maior dificuldade, pois precisava ir além de só estar inserida nele. Por isso cabe ressaltar que quando somos seres individuais temos uma percepção do espaço, porém quando nos agregamos ao outro, nos tornamos um ser único cujas proporções nos fazem ter que interagir com o meio de forma diferente, carecendo de diálogo e sincronia para realizar pequenos movimentos como andar ou por que não tomar um café?
O vídeo demonstra essa comparação entre o objeto e as relações a medida que a estrutura se embola e se torna difícil quando a relação também está difícil, cabendo cumplicidade para funcionar. Com ajuda de uma grande amiga dominadora das artes cênicas, Annabelle Lithg (anotem esse nome), esse foi o resultado final.
O objeto fica guardado para que, em cada novo uso por pessoas diferentes, novas interpretações surjam. Fiquei feliz com o resultado e com capacidade de transformar uma coisa ordinária em "extra-ordinária" como diria Hertzberger.
Ps.: o objeto foi feito com matéria prima local diretamente do quintal de casa kkk.



Comentários
Postar um comentário